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31/12/1969 21:00:00
 
Depressão X Tristeza
 
Quando vemos uma pessoa deprimida percebemos que ela está sofrendo.
 

Algumas pessoas admitem que o deprimido pode precisar de ajuda, mas poucas aceitam a idéia de que  uma pessoa deprimida está com uma doença e que precisa de tratamento médico. Em geral, parentes e amigos lidam com o paciente deprimido como se ele pudesse se “erguer com as próprias forças”, ou simplesmente “deixar de frescura e enfrentar as dificuldades”. Só quem passou por uma depressão sabe o quanto é sofrido precisar reagir e não conseguir fazê-lo sozinho. O deprimido sofre calado,  pois, na sua insegurança, pode aceitar o estigma de “fraco”, além de temer o rótulo de “doente mental” e de “louco”. Numa sociedade em que todos os indivíduos precisam ser independentes e ninguém pode ficar doente, o deprimido não teria nenhuma chance.

O que é “depressão”?
A depressão é uma doença do corpo como um todo. Afeta o sono, o apetite, a disposição física e diversos aspectos psicológicos, como a auto-estima e a autoconfiança, além de dar um tom especialmente “cinzento” e pessimista a tudo o que a pessoa faz, sente e percebe do mundo à sua volta.

A depressão é uma doença que, em geral, dura muito tempo, de semanas a anos, podendo aparecer junto com outras doenças do corpo, ser desencadeada por situações estressantes, ou mesmo “vir do nada” - sem motivo aparente. A depressão faz parte dos transtornos do humor, também conhecidos como doenças afetivas, por afetarem principalmente os afetos (humor triste, melancólico ou depressivo) ou o estado de humor.

Depressão e tristeza: até onde vai o “normal”?
Muitas pessoas confundem depressão com tristeza, “fossa”, “baixo-astral”, luto, ou atribuem os sentimentos à “fase ruim”, às dificuldades da sua vida ou ao estresse. Na realidade, os sentimentos de tristeza ou “fossa” acontecem com qualquer pessoa, mas são passageiros, não levam a tantas alterações corporais e não comprometem o funcionamento do indivíduo. É normal uma pessoa ficar triste durante o período de luto pela morte de um ente querido, mas não seria normal se esta pessoa quisesse se matar, ou ficasse triste por um ano inteiro, ou deixasse de fazer suas atividades rotineiras.

Depressão:  uma doença comum?
Muitos estudos mostram que a depressão é muito mais comum do que se imagina. Entre 15% e 25% das pessoas podem ter uma crise depressiva pelo menos uma vez na vida, que precise de tratamento. Ou seja, até uma em cada quatro pessoas vai precisar se tratar de depressão alguma vez na vida. Infelizmente são pouquíssimos os que procuram tratamento adequado, principalmente por falta de informação. Depressão é um problema médico mais comum que diabetes e hipertensão.

Quem é afetado e quando?
No Brasil, aproximadamente 24 e 30 milhões de pessoas apresentam, apresentaram ou virão a ter pelo menos um episódio depressivo ao longo da vida. Pessoas de ambos os sexos, de todas as raças, idades e condições sociais podem ser acometidas. As mulheres são mais vulneráveis, apresentando depressão na proporção de duas a três para cada homem. Crianças e adolescentes também podem ser acometidos, assim como idosos. No adolescente, os sintomas depressivos são semelhantes aos do adulto, mas sintomas como raiva, apatia, comportamento agressivo, queda no rendimento escolar podem também estar presentes.


Condutas e tratamentos
Como todo problema de saúde, o tratamento dos transtornos do humor (doenças afetivas) começa sempre por uma avaliação completa.  Através desta avaliação, é possível verificar se existem outras doenças orgânicas que podem se confundir com depressão ou piorar o episódio depressivo. Diversas doenças têm os sintomas semelhantes aos da depressão, sendo as mais comuns as doenças endócrinas (hipotireoidismo, obesidade), vários tipos de câncer, doenças crônicas dolorosas  e algumas doenças neurológicas.
O tratamento será direcionado pelo resultado da avaliação. Para cada paciente podem ser necessárias abordagens que vão desde o uso de medicação, eletroconvulsoterapia  (ECT) até psicoterapias individuais, de grupo ou familiares.

Psicoterapias
Existem várias psicoterapias que podem ser úteis para a depressão. De uma forma geral, temos três abordagens básicas de acordo com a fase e as necessidades de cada paciente. Durante uma crise depressiva, é necessária uma abordagem de apoio, com uma postura compreensiva, onde se estimula a reação do paciente contra a doença evitando cobranças para que ela melhore por si mesma.

Na fase de crise aguda, não é útil realizar terapias de abordagem psicodinâmica, pois o paciente não tem condições cognitivas e de auto-estima para se conscientizar e enfrentar os conflitos psicológicos internos. Após a recuperação da crise depressiva, estando o paciente bem, uma abordagem de reconstrução e adaptação à doença deve ser utilizada. Todas as perdas decorrentes da crise depressiva devem ser discutidas, soluções devem ser levantadas, e comportamentais do paciente devem ser aprimoradas, para melhorar a adaptação às situações estressoras que fatalmente ocorrem na vida de qualquer um, na tentativa de diminuir o risco de desencadeamento de novas crises depressivas.

Algumas vezes terapias conjugais e/ou familiares são necessárias para complementar o tratamento psicológico. E, independentemente da fase da doença. Quanto mais se conhece o inimigo, mais fácil é de vencê-lo. O tratamento psicológico e o medicamentoso não se excluem, sendo sua associação vantajosa para muitas pessoas.

Fonte: Por Cristiane Gonçalves de Brito

 

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